Domiciano's Last Stand

Aqui dou alguns pitacos sobre política, esportes, economia, cotidiano, músicas, brigas amorosas, compra e venda de automóveis...

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Nome: Humberto Domiciano de Paula
Local: São Paulo, São Paulo, Brazil

08 Maio 2009

53 anos cantando

O ano de 2009 reserva algo importante para quem aprecia o jazz. O aniversário de 53 anos de "Chet Baker Sings" deve ser comemorado por inúmeras razões. Gravado em um período conturbado da vida do trompetista americano, o álbum condensa boa parte das características mais marcantes de Chet.

A principal delas é melancolia aliada com a delicadeza. Suas composições partem dos sentimentos mais íntimos que um ser humano pode ter, mas crescem a partir do momento em que colocadas para os outros. Ao oferecer sua tristeza para a música, o artista conseguiu dar um traço de originalidade em seus discos.

Além disso, Chet Baker viveu boa parte de sua vida envolvido com drogas pesadas. Teve diversas overdoses de heroína e ficou internado em clínicas. Isso contribuiu para que sua produção musical ficasse irregular, fazendo com que "Chet Baker Sings" ganhe ainda mais importância. O jazzista ainda fez shows até o final de sua vida, que terminou de maneira misteriosa após uma queda em um hotel de Amsterdã, em 1988. Nada mais melancólico.

18 Dezembro 2008

O dia em que Gramsci pediu o penico

Não sei se todos sabem quem foi Antonio Gramsci. O italiano, responsável por uma forma mais agressiva de comunismo, viveu na primeira metade do século XX e até hoje é o grande ídolo de alguns petralhas (aqueles que conseguem ler).

No entanto, o Vaticano fez essa semana uma revelação bastante interessante sobre Gramsci. O comunista se converteu ao catolicismo em seu leito de morte. Conforme matéria publicada no site do jornal Times, o italiano morreu cumprindo o ritual do sacramento.

A novidade foi confirmada pelo arcebispo Luigi De Magistris, responsável pelas confissões, indulgências e perdões dados pelo Vaticano. O sacerdote ainda disse que o próprio Gramsci teria pedido a uma enfermeira para beijar uma imagem de Jesus em seus momentos derradeiros.

Sem entrar no mérito da religiosidade, é pelo menos curioso que um comunista tenha que recorrer justamente a uma religião no momento mais delicado de sua existência. Será que Gramsci deixou se levar por aquele ópio tão criticado por Karl Marx?

06 Dezembro 2008

Epifanias

5 de dezembro. Uma quinta-feira como outra qualquer. O tempo abafado do Rio de Janeiro fazia com que os presentes se sentissem desconfortáveis. A frente deles estava um púpito e nele discursava uma figura estranha.

Seu rosto estava longe da simetria. Em sua fúria, atropelava as palavras, babava e urrava.

A platéia, ainda sob o desconforto do calor, não reagia. Talvez pelo temor, ou principalmente pela cumplicidade, todos assistiam sem reação ao espetáculo bizarro.

Se aquele homem não fosse o presidente e aquela não fosse uma cerimônia oficial, o fato não mereceria uma linha. Infelizmente, o show de horrores protagonizado por Lula e sua trupe ficará marcado como a última fronteira do decoro, do bom senso.

"Sifu". O termo foi pronunciado. O mal foi feito. Lula acredita ser um Rei. A sua platéia, acostumada em adulá-lo, provavelmente não se sentiu desconfortável como eu escrevi.
Esse aliás, é o ponto que faz com que ele sempre se exceda. Quando encontrou a hostilidade - vide a abertura do Pan-Americano - não soube reagir.

Lula, por que não te callas?

04 Outubro 2008

Pontos corridos - A salvação dos times ruins

O futebol brasileiro encarou no início do século XXI uma polêmica sobre o formato do torneio nacional. Desde 2003, os pontos corridos foram adotados e entre os muitos pontos positivos, os clubes passaram a ganhar mais dinheiro da televisão, o calendário deixou de ser um problema central e de fato o campeonato ganhou emoção.

No entanto, pretendo nesse texto mostrar um ponto negativo desse formato: a permanência de equipes com desempenho abaixo do esperado. Nem mesmo os exemplos de Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Coritiba e mais recentemente o Corinthians, mudaram o comportamento de algumas equipes. Basta ver o caso do Atlético-MG. O time passou o inferno da queda, mas não melhorou a sua administração. Justamente no ano do Centenário foi goleado na final do Campeonato Mineiro, foi eliminado pelo Botafogo na Copa do Brasil e na Sul-Americana e faz um Campeonato Brasileiro para ficar longe de um novo rebaixamento.

Os pontos corridos dão às equipes a sensação de que é sempre possível se salvar, afinal, com 38 jogos, a tarefa fica menos complicada. Para exemplificar, utilizarei o Atlético-MG novamente. Qual o incentivo que a diretoria poderia ter para melhorar o time, sabendo que há pelo menos mais quatro equipes inferiores? Essa lógica de entrar "para não cair" tem feito o nível do futebol cair bastante.

A comparação com os mata-matas nesse caso pode ser importante. Fazendo uma comparação entre o torneio de 2002 (último no formato antigo) com o do ano seguinte, a diferença entre o primeiro colocado, São Paulo, para a Portuguesa, último que caiu foi de 25 pontos. Em 2003, após a excelente campanha do Cruzeiro, essa diferença subiu para 51 pontos. Foi de 49 em 2004, 32 em 2005, 39 em 2006 e 33 no ano passado.

Logicamente que com mais partidas, o total de pontos também aumenta. Mesmo assim, o abismo entre os primeiros e últimos tem sido muito grande. Na edição atual deve ficar novamente acima dos 30 pontos.

Os esforços feitos para trazer mais equipes para a Libertadores e Sul-Americana até amenizaram o quadro, mas o que se torna importante é a tentativa de melhorar a disputa, com times mais fortes e dispostos a alguma coisa. E isso depende dos nossos clubes.

13 Maio 2008

Culpas

"Hum. Gosto dessa música, é 'Boys Don't Cry' né?" A digressão por mais absurda que pareça refere-se a "Guilty of Love" do Whitesnake. Registrada no álbum "Slide It In", de 1984, a música tem a letra escrita por David Coverdale. No entanto o riff marcante só poderia ser obra de Mel Galley.
Ele, que vive seus últimos dias nesse mundo, teve uma importância fundamental na composição deste excelente trabalho da banda. Ao lado de Coverdale, Mick Moody, Colin Hodgkinson e Jon Lord, Galley viveu o início de um dos seus melhores momentos. Mesmo sendo demitido da banda no meio da turnê de divulgação, ele emendou o projeto Phenomena e marcou seu nome na história do hard rock.
Mas voltando a "Guilty of Love", esse som foi tocado pelo Whitesnake na última sexta-feira e de maneira surpreendente.
Presente nos set-lists da banda na turnê do "Slide It In" e em algumas datas do "1987", o som permaneceu 'esquecido' até o ano de 2006. Como no ano passado, o Snake praticamente não se apresentou, a execução desse som em São Paulo e Porto Alegre é um fato curioso e pode ser considerado um presente de Coverdale para os fãs brasileiros.
Se me desculparem a heresia de comparar essa música com um som do The Cure, cometerei um segundo sacrilégio, ao cantarolar. "I believe my love for you, is a love that will last forever, an' I'm here to testify..."

10 Maio 2008

A noite em que a cobra fumou

Cidade de São Paulo. 264 quilômetros de congestionamento. Enquanto o caos reinava na metrópole, cerca de 8 mil pessoas chegavam (ou tentavam chegar) ao Credicard Hall. Por volta das 22h30, as luzes se apagaram e teve início um desfile de hard rock de alta qualidade.
David Coverdale e sua trupe adentram o palco e fazem por 2 horas a alegria de quem disputou os concorridos ingressos para a apresentação.
"Best Years" abre o novo álbum do Whitesnake. Uma faixa que poderia estar facilmente no "1987", mas que guarda muito do velho 'snake de chapéus', que tinha Moody e Marsden e ainda não era uma banda mundial. A recepção foi um pouco fria, mesmo porque "Good to Be Bad" começou a ser vendido faz pouco tempo.
Na sequência, "Fool for You Lovin" chega com uma versão muito próxima da original e levanta o público pela primeira vez. Nesse ponto é possível ver como Coverdale tem presença de palco.
O show prossegue com "Bad Boys" e "Can You Hear the Wind Blow", esta última em uma versão tão pesada quanto a original.
Com a total animação do público, chega a hora de "Love Ain't No Stranger". Antes de começar, Coverdale homenageou o guitarrista Mel Galley, que gravou dois álbuns com a banda e hoje passa por um grave problema de saúde.
O Whitesnake ainda tocou mais uma do novo trabalho, a zeppeliana "Lay Down Your Love" e emendou a infalível "Is This Love", que levou às lágrimas muitas garotas e garanto que muitos marmanjos também tiveram vontade de chorar (!).
Depois dos bons solos de guitarra, chega "Crying in the Rain". Esse som, que tem sua versão original no "Saints and Sinners" de 1982, ao vivo parece multiplicado por 100.
O show ainda teve pontos altos, como "The Deeper the Love" acústica e "Soldier of Fortune" a capela (nesse momento, Covedale deu uma pequena escorregada na letra).
Mas os pontos máximos da parte final foram "Still of the Night" e "Burn". Além de serem músicas pesadas tem todas as características para fecharem um show.
Quando as luzes se acenderam ficou um gostinho de quero mais.

Set-list

Best Years
Fool For Your Loving
Bad Boys
Can You Hear The Wind Blow
Love Ain't No Stranger
Lay Down Your Love
Is This Love
Reb Beach and Doug Aldrich Guitar Solo/Snake Dance
Crying In The Rain/Drum Solo/Crying In The Rain
The Deeper The Love (voz e violão)
Give Me All Your Love
Ain't No Love In The Heart Of The City
Here I Go Again
Guilty Of Love
Still Of The Night
Soldier Of Fortune
Burn/Strombringer/Burn

28 Abril 2008

Bons companheiros?

O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) teve origem ainda na época do bipartidarismo. Justamente por aglutinar as principais lideranças de oposição ao regime militar o partido sempre teve os mais diferentes tipos de políticos em seus quadros.
Passados quase 30 anos, as coisas não mudaram muito. As eleições de 2008 e 2010 tem gerado alianças estranhas.
O primeiro caso é de Orestes Quércia. O ex-governador e ex-senador pelo estado de São Paulo anunciou recentemente que apoiará a candidatura de Gilberto Kassab (DEM) para a Prefeitura da Capital. Especula-se que o atual governador José Serra e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenham participado das negociações.
O segundo episódio é a chegada de Anthony Garotinho ao PSDB carioca. Sem poder de barganha no PMDB desde o rompimento com Sérgio Cabral, o ex-governador do Rio de Janeiro espera voltar à vida pública junto com os tucanos.
Tanto Quércia quanto Garotinho são execrados por boa parte da opinião pública, da imprensa e por alguns políticos. Mas por possuírem importantes nichos eleitorais e tempo de exposição em campanhas políticas, recebem carinhosos afagos nos bastidores. Imagine FHC, Serra, Quércia, Kassab e Garotinho no mesmo palanque.
Ionesco não faria melhor.